domingo, 21 de dezembro de 2008

As flores são do mundo

Me sinto como um avô cansado... Te tomo em meus braços, Te embalo. Tu ris, eu rio, mas meu riso é tão amargurado... Te levo a um passeio, te vejo correr entre as árvores. Tu ris mais uma vez, eu até forço os lábios, mas meu riso é só de vontade. Minhas pernas não te acompanham, meu bem: Tu já vais longe, eu forço os pés vacilantes, mas não te alcanço. Então te aceno, distante tu não me vês, Só quando te viras, mas já é tarde, minhas mãos repousam nos bolsos.

Te gosto tanto, criança! Te vejo deitada na relva, comendo frutas esquisitas, que brotam de sua cabeça. És tão mística, és tão solta... Gosto disso, sabe? De que não queiras mais nada além de todas as inúmeras coisas que queres. Me digas tudo, e eu aceito.

E então tu te vens: Meu coração está tranquilo! Vens com o rosto suado, vermelho, já não corres, traz-me algo: São flores. Meu bem, trouxe-me flores? Sim,tu me diz, mas despedaça-as em meus pés. As flores não eram pra mim. As flores são para o mundo.


Tu te dormes; (Eu te toco os fios do cabelo); São finos, quase tão finos como tua lealdade... Não te mexas, continue a dormir... Deixe-me adivinhar teus sonhos. Há borboletas roxas fragmentando-se sobre o teto. De onde vem este teu cheiro doce? Procuro te embalar, mas tu se desmanchas feito papel molhado enquanto uma vozinha ecoa em meus ouvidos: as flores são para o mundo. as flores são para o mundo. para o mundo. não para ti. não para ti.


E então de repente tu te cresces, e ficas maior que uma árvore... Seu rosto é sério e a criança foi embora (Mas eu sou só um velho); Tu me vês indo embora (Eu sou só um velho); e nós não temos nada além de flores. As flores não são nossas. São do Mundo. (Eu sou só um velho).

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