sábado, 13 de junho de 2009

Sacrifício

A morte reside nos detalhes. No gracejo não-feito, no sorriso emudecido, no favor negado. O que fizeste tu com tanta admiração? Mastisgaste, usaste-a para o teu tédio. Sim, é isso que sou, produto do seu tédio. Só eu nunca soube ser assim. E tantas vezes eu quis tornar-te menor, algo assim pras "horas de ócio". Enfraquecer o amor que sinto por ti de maneira a se tornar suportável, manipulável. Mas não consegui, fracassei.

E quando te vejo a derramar sorrisos pra qualquer um, com os olhos cheios da ternura que nunca voltaste pra mim, a oferecer a alheios todo o banqueste do qual tu me negaste até os restos, é sofregamente que rio e continuo ao teu lado. Mas não te culpo, não se ama porque quer. Amor é coisa gratuita - e ingrata sempre. Não batalhe, o amor que queres conquistar, darão a outro de graça. Acaso eu mesma não te amo assim?

Te deixo pra que ames quem quiser, para que rias os sorrisos que tens de rir, e dê o que me negaste de mãos beijadas ao primeiro que aparecer: sim, são todos mais importantes que eu. -Apesar de meu empenho, meus esforços, meus olhos já gastos de atenção. Te deixo para que vás e me deixe também livre pra ir, te deixo para que me permitas ser também livre de ti.

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