domingo, 5 de julho de 2009

Distração

Ninguém suporta que eu viva a me distrair... Que descuidada eu sou! São todos tão sérios e compenetrados, até mesmo ao gargalharem. Têm tantas respostas e conselhos, eles! E eu... Ah, eu nem sei qual conectivo usar, qual a frase que direi a seguir... Não tenho nada pronto, nenhum script... Nem sequer um autor favorito. Rio: desengonçadamente rio. Talvez me tomem por idiota. Pior, às vezes superestimam o meu silêncio, o meu des-pro-vi-men-to.

E quando estou ao lado deles e os ouço falar e falar cheios das certezas e convicções, sinto que aí mesmo é que me distraio de mim. Calo-me. E então, talvez na tentativa de me tomarem para si, na agonia de constatarem a minha dispersão, eles começam a me apontar os dedos e falarem de mim, na ânsia de me "desancorarem.".. E assim, esperam que meus olhos brilhem e eu emerja de repente só de ouvir meu nome, mas que engano! É exatamente aí que eu me embaralho mais...

Não parece que falam a mesma língua que eu. Não os entendo. Mas eles, ah, eles parecem tão certos de tudo sempre... E dizem compreender tão mais do que eu estou disposta a dizer. Mas pra mim, pra mim o tempo todo é como se eles estivessem dialogando sozinhos...