Era melhor, meu deus, que em vez de plumas
fosse de palha, barata palha,
e em troca da sua seda pura,
fosse de xita o seu vestido,
e o seu cabelo nem precisaria tanto lustre
e os seus olhos nem careciam tanto brilho
e, por fim, pra que tão bom coração?
tão valente?
tão forte?
mas ainda assim tão puro, tão doce...
Para que, tal coração, meu deus?
Se pra este mundo já bastava um de segunda-mão
Se pra este mundo já é suficiente ter um coração
Não vês que só lhe trouxe sofrimento?
Não era melhor que a fizesse má?
Talvez agora estaria deitada sob os braços de alguém
talvez agora fosse feliz, dessa felicidade possível
- pois a felicidade que ela carrega é uma heresia
um ultraje a esse mundo.
Não seria mais sábio tê-la feito podre,
essencialmente podre?
talvez agora estivesse rodeada de sorrisos
- ao invés de inultimente procurar um coração que bata
feito o seu...
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