sexta-feira, 11 de junho de 2010

a casa está finalmente vazia.
Já não ouço sua voz…
O cheiro de tinta fresca encobriu teu perfume
Teu fantasma se libertou
A casa está finalmente vazia
Não há nenhuma esperança nos cômodos
Nenhuma lembrança esquecida entre as gavetas
Nenhuma lágrima a pingar das torneiras…

A casa está finalmente vazia
e lentamente eu a reconstruo
Hoje é dia de pintar as paredes
Amanhã, quem sabe, móveis novos

Até o dia em que a casa já não estará tão vazia
Em que não haverá mais tanto silêncio entre os livros
Em que a música não soe tão inconveniente
Em que as festas não sejam uma dissimulação

E há de chegar o dia em que, passando em frente,
já não reconhecerás mais os portões nem as janelas
Tudo te parecerás infinitamente estranho…

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