sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

reflexão n. 01

A solidão compartilhada é aquela mais doída, pois onde haveria de estar o costume com a condição de estar sozinho, acontece a dádiva da possibilidade de companhia, que quando desleixada, aprofunda a solidão de antes, tornando-a duas. Aquela com a qual já nasce e aquela imposta pela falta do sentimento que viria para avivar o coração, alegrar a alma e controlar o pranto.

Tornando-se assim, causa da solidão e não sua amenizadora, a solidão compartilhada é um fardo insuportável... E o coração reclama para si de novo o tempo em que sua solidão era vazia de uma causa, de um alguém, de um nome... Em que era sozinho por culpa de ninguém, por questões transcendentais, filosóficas, biológicas... enfim, humanas.

Aquele tempo de antes em que era quase bonito desfilar por aí com o coração solitário, em que isso, por si só, era quase uma companhia, um alento, um cobertor...

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