terça-feira, 5 de abril de 2011

Pai

Não quero forjar o teu poema
Como não quero forçar tuas saudades
Mas como, meu deus, eu sinto saudades tuas...

Eu nunca pude perceber
O que representou ter saído de ti
Ser da tua carne e teu sangue
Ser do teu amor e tua loucura

E era mesmo tua loucura teu encanto
Não a encontro em minha mãe e minha irmã
Só eu e tu a tínhamos
Mas tu era feito de pedra, material desajeitado e bruto,
E eu já nasci polida por ti

Foste com leite e mel que me alimentaste
Se pudesses ter me coberto com ouro,
Se pudesse ter me dado seda,
Era com as mais finas vestes e jóias
que me vestiria
Mas me deste tudo o que possuía
E eu em chita e algodão
fui mesmo tão feliz...

Sinto saudade do teu sorriso
e até da tua raiva...

Sinto tua falta, mas estás tão longe,
Se não era possível te encontrar quando
estava ao meu lado,
assim, no mundo misterioso em que te encerraste,
como poderia almejar um contato?

Eu não sabia dizer que te amava
Mas te dei aquela única cadeira para sentar
Enquanto passávamos as tardes
ouvindo música....

Eu sempre pensava em ti
ao ouvir música...

Mas tu me deste de volta a cadeira única
Era o teu amor por mim,
Mesmo cansado e doente,
Era sempre por mim o teu último cuidado

E aqueles cinco minutos em que
com desespero e coração me olhaste
ficarão para sempre eternizados em mim
representaram todo o amor de nossa vida, juntos
Foi o nosso último olhar...
E tu não disseste nada, porque, afinal,
nunca o soubemos dizer...
Mas do peito que doía tanto, tanto
tu arrancaste um sôfrego sorriso,
teu último presente

Saudades.

Principalmente do que não poderá assistir em minha vida,
sobretudo, do que não pudemos viver.

2 comentários:

Aline Cristina disse...

O que foi feito, deverá. Não é assim a canção?

Sinta-se abraçada.

C;

Fabianny de Alencar disse...

Lindo.