meu coração é um lamaçal
que os pés mais vulgares pisaram
meu coração é um lamaçal
de confetes, perfumes e sangue
E a maldade não fica
não fica o descaso, o orgulho não vive
meu coração insiste em se erguer
já doente, tão tísico... engole a tosse,
força o sorriso, os pés vão sambando,
ainda faz charme
ainda sabe cantar
E quando um dia eu morrer
ele ficará por aí nos butecos
nas ruas escuras do mundo
a espreitar, sorridente, os cantos da solidão
Porque até podem balas e pedras
E a dor, sim, fere e machuca,
mas não amargura nem mata um coração.
Um comentário:
Pior é que mesmo sem vida ainda vive o coração.
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