domingo, 9 de agosto de 2009

Mulher sem razão

É compreensível que os aceite. O que é incompreensível é que vá buscá-los. É até lógico que lhes demonstre simpatia, como a qualquer visita em nossa casa. E que você sorria. É desejável que se encante. Eu compreendo. Eu aceito. O triste é te ver acreditar, pois quando acredita neles feito credo, já perdeste a fé em tudo mais.

É tão vazio ver teus olhos. A magreza do seu corpo. A saúde comprometida dos seus lábios. Há uma lascívia estéril em teu espírito. Do blush é que se espalha o rubor tímido nas tuas bochechas tristes...

E então eu te vejo a perambular por aquelas ruas, os olhos compridos à espreita da atenção
do primeiro que passar. Ajeita o decote pra que mostre melhor os seios que já vão rotos, acende um cigarro e faz pose de nouvelle vague. Mas não é o seu espírito a escapar junto aos fluídos do teu corpo? Não é a tua alma que se esvai pelos olhos nessas buscas sofridas pelo próximo parceiro de cama, de segundos de vida?

Talvez a infelicidade é que não amamos como cachorros. O fato é que não somos cachorros. E sim, podemos não querermos ser humanos e renegarmos nossas pudores humanos, bestialmente humanos, mas ficaremos sempre no intervalo entre qualquercoisa e coisanenhuma, na insistência de sempre negar.

Vem, mulher, vamos para casa... Escovarei os teus cabelos e te ninarei, até que relembre como era justa e feliz tua meninice, quando ainda não tinha a obsessão de ser tocada, a necessidade de exposição de tuas carnes, a eterna promoção dos teus contornos...

Vem, mulher, vamos para casa... Pois tens mais a aprender com paredes e móveis, que com estes para quem mendigas a atenção.