domingo, 4 de outubro de 2009

Mãe

Na tua ausência
os móveis choram
o piso reluz o véu pesado e triste da noite
o telhado reclama da solidão

Do silêncio brota um eco
que remonta ao sangue
e vai em busca de ti

Em meu coração rasgam-se fossas
onde um vazio gélido
toma conta de mim

Na tua ausência
nossa casa é um túmulo
e as panelas
as cadeiras
o jeito de arrumar a estante
são todos os teus espólios de luto e de guerra


Na tua ausência
Não há mais nós
desprende-se do fio da família
eu, minha irmã, os tios, os avós
Somos todos contas rebentadas
de um terço há muito rezado por ti

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